O que é Design Estratégico? O planejamento de forma sustentável

Foi o tempo em que Design estava relacionado apenas com artes gráficas ou produtos “bonitinhos”. Para entender melhor o que estamos falando, sugerimos que leia o nosso texto “O que é Design? Uma visão além da ‘estética bonitinha’”. Atualmente, o Design possui várias ramificações, e a que vamos explicar no texto de hoje, é o Design Estratégico. Inovar se tornou, não mais uma opção, mas uma constante para organizações. Projetar o futuro e desenhar uma estratégia criativa e inovadora no curto e longo prazo são peças chaves neste novo contexto.

O Design Estratégico é um dos serviços que ofertamos na Agência Tellus. Com esta abordagem, desenhamos – de forma colaborativa – estratégias inovadoras de curto, médio e longo prazo para políticas públicas. De acordo com Germano Guimarães, nosso cofundador e diretor presidente, “acreditamos que o governo tem grande capacidade de entregar valor para a sociedade. Mas que ele deve construir as soluções com os cidadãos, e não para eles.” Isso significa que o cenário público precisa traçar planos estratégicos para chegar na inovação e, acima de tudo, precisa ter o cidadão como peça central do planejamento, e é neste ponto em que entra esta abordagem do design.

Segundo o Sebrae, “o design estratégico pode ser usado como ponto central em um modelo de negócio. As metodologias e ferramentas ajudam as empresas (aqui podemos adicionar também o governo) a entender seus usuários, suas necessidades e seus desejos, bem como suas angústias e irritações.” Mas também existe outro grande diferencial desta abordagem, que está em privilegiar a colaboração e orientação à inovação e à sustentabilidade como processo e não apenas como fim, ou seja, inovação e o desenvolvimento sustentável de um projeto são parte do processo, não uma consequência/produto final do planejamento.

“O Design Estratégico confere a entidades sociais e de mercado um sistema de regras, crenças, valores e ferramentas para lidar com o ambiente externo, podendo assim evoluir (e assim sobreviver com sucesso), bem como manter e desenvolver sua própria identidade. E, ao fazer isso, influenciar e mudar o ambiente também.” afirma Anna Meroni em seu artigo “Strategic design: where are we now? Reflection around the foundations of a recent discipline” (“Design estratégico: Onde estamos agora? Reflexões em torno dos alicerces de uma disciplina recente”, em tradução livre). Publicado em 2008, a então PhD e professora assistente de Design de Serviços e Design Estratégico do Departamento de Design Industrial da Politecnico di Milano, mostra que esta abordagem, como falamos no parágrafo anterior, visa uma colaboração e o desenvolvimento sustentável. O projeto não pode ser apenas elaborado e “lançado” ao seu cenário, ele precisa ser pensado de forma que possa sobreviver de forma sustentável e se relacionar com os atores que o rodeiam.

Muito acadêmico, não? Vamos simplificar então. O Design Estratégico visa criar um plano para que o produto/serviço possa ser sustentável, ou seja, “viver com as próprias pernas” e independente de investimentos (sejam eles financeiros ou de outras formas) cruciais para a sua existência. Já a questão sobre se relacionar com os atores que o rodeiam, o projeto precisa ser pensado não apenas para o seu público final, mas – também – a sua cadeia de fornecedores, dependentes e/ou parceiros. Podemos dizer que o Design Estratégico visa o ecossistema, não apenas o produto/serviço. Ainda de acordo com Meroni, podemos dizer que esta abordagem está baseada em 8 pilares principais:

  1. Sistema produto-serviço: Integração de produtos, serviços e comunicação buscando soluções que diferenciam a empresa de seus competidores através da construção de uma identidade;
  2. Evolução: Design estratégico pressupõe mudança por inovação radical, ou seja, uma ruptura no sistema capaz de fazê-lo avançar e evoluir;
  3. Definição e solução de problemas: A riqueza da abordagem não está só em resolver problemas, mas antes disso, em defini-los;
  4. Inovação social: Mudanças de comportamento que acontecem de baixo para cima podem conduzir à inovação tecnológica e de produção, com um olhar para a sustentabilidade;
  5. Cenários: É modo como os designers tornam “palpáveis” as visões de futuro;
  6. Codesign: Visa engajar diversos atores na solução de um problema que é de interesse comum, seria a cocriação;
  7. Diálogo estratégico: Cataliza e orienta a energia de múltiplos atores para a solução do problema, através da interpretação da visão compartilhada de como o futuro poderia ser;
  8. Construção de capacidades: Habilita os atores a lidar com contextos em mudança, extraindo sentido do caos.

Segundo Manu Nascimento, mestre em Design Estratégico pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos, em um artigo para o Jornal do Comércio, “o Design Estratégico não está preocupado apenas com a forma em função dos produtos e serviços, mas sim em gerar soluções que façam sentido a todos os atores entorno das organizações (colaboradores, fornecedores, mercado e sociedade). Sua forma de agir acaba por complementar as práticas tradicionais da gestão, na medida em que busca um equilíbrio entre a lógica analítica da administração com a lógica exploratória do design.” No caso do Tellus, o Design Estratégico, atrelado ao Design de Serviços Públicos, já gerou (por meio de mais de 130 projetos) o impacto em mais de 1.4 milhão de cidadãos.

Para finalizar, se formos resumir o Design Estratégico, podemos dizer que é um planejamento estratégico que visa as interações entre os indivíduos, sejam elas dentro de um serviço ou produto. É neste ponto que o Tellus foca, para desenvolver qualquer serviço público ou política pública buscamos entender, observar e sentir o grupo de cidadãos em questão, e sua realidade, na busca por um entendimento profundo do humano, o que levará a ideias e inspirações para a inovação.

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